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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Os pássaros estão morrendo...



Era uma cidadezinha em algum lugar de um certo país...
Com uma população pequena, viviam de forma tranqüila, serena. A maioria trabalhava no campo, nas plantações e com o gado. No centro da cidade havia a prefeitura, o armazém, a barbearia, o bar e uma pequena capela abandonada. A cidade funcionava como um relógio, as pessoas acordavam por volta das cinco da manhã, tomavam café as seis, trabalhavam ate o meio dia quando almoçavam e descansavam ate as 14 horas voltando depois ao trabalho e parando as 18 horas, o jantar era servido as 19 horas, um charuto ou cigarro e depois dormir. Era uma manhã qualquer, nascerá naquele dia sem som, sem sol. Houve muito atraso naquele dia. A luz se atrasou, o vento não soprou.
Waldomiro filho do finado Joca e de Maria das Dores que uns dias antes cairá de febre causada pela solidão, pela falta do marido fez com que ele, menino ainda fosse morar com a tia. Longe fora da cidade. Waldomiro não entendia nada, mas foi crescendo, virando homem, do mato, selvagem. Dormia fora da pequena casa maltratada pelo tempo, pela falta de zelo. Camisa e calça rasgadas, sujas, como seu corpo coberto de feridas. Era quase que mendigo, uma criança solta, sobrevivendo na vida. Fugiu, foi embora, pegou o resto de coisas, ninharias sem valor e sumiu. Conheceu a noite, dormiu de dia escondido, calado e assustado. Sua feição foi mudando, marcas profundas, osso aparecendo, só pele. Waldomiro estava por ele, não lembrava do rosto de das Dores só sentia as dores da falta do colo, do dengo, do beijo de boa noite, ou do grito de repreensão. "Não sobe ai menino, quer se arrebentar?"
Viu que noite, mesmo no verão é fria, sem cor, branco pálido ou amarelado que indica meia vida. Waldomiro vira esquinas, sobe ladeiras, passa por ruelas que a luz do dia são cheia de vida. Pessoas riem, altas pela bebida barata que entorpasse e alivia a dor, na grama, nas portas dos bares, vê aqueles que dormem um sono intranquilo. Waldomiro só observa, se esconde no meio do sacos de lixo espalhados no meio da calçada da rua vazia. Ninguém o nota, um lixo no meio do lixo. E cansado ele adormece. O sono dos Miseráveis.