No começo tudo parece difícil, não dá tempo pra mudar de roupa e entrar em cena, a maquilagem leva no mínimo uma hora, a corrida de uma coxia à outra parece uma eternidade.
Suamos, perdemos a respiração, quase, mas quase mesmo não conseguimos dar o texto de tanta agitação o tempo parece nada e é preciso entrar em cena.
Pois é, o começo, o início de uma jornada de repetições sem fim, ate claro o final da temporada. Assim também é a vida, cada passo uma surpresa, a qual aprendemos a lidar e logo em seguida ou simultaneamente vem outra e ai novamente... O começo!
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Os pássaros estão morrendo...
Com uma população pequena, viviam de forma tranqüila, serena. A maioria trabalhava no campo, nas plantações e com o gado. No centro da cidade havia a prefeitura, o armazém, a barbearia, o bar e uma pequena capela abandonada. A cidade funcionava como um relógio, as pessoas acordavam por volta das cinco da manhã, tomavam café as seis, trabalhavam ate o meio dia quando almoçavam e descansavam ate as 14 horas voltando depois ao trabalho e parando as 18 horas, o jantar era servido as 19 horas, um charuto ou cigarro e depois dormir. Era uma manhã qualquer, nascerá naquele dia sem som, sem sol. Houve muito atraso naquele dia. A luz se atrasou, o vento não soprou.
Waldomiro filho do finado Joca e de Maria das Dores que uns dias antes cairá de febre causada pela solidão, pela falta do marido fez com que ele, menino ainda fosse morar com a tia. Longe fora da cidade. Waldomiro não entendia nada, mas foi crescendo, virando homem, do mato, selvagem. Dormia fora da pequena casa maltratada pelo tempo, pela falta de zelo. Camisa e calça rasgadas, sujas, como seu corpo coberto de feridas. Era quase que mendigo, uma criança solta, sobrevivendo na vida. Fugiu, foi embora, pegou o resto de coisas, ninharias sem valor e sumiu. Conheceu a noite, dormiu de dia escondido, calado e assustado. Sua feição foi mudando, marcas profundas, osso aparecendo, só pele. Waldomiro estava por ele, não lembrava do rosto de das Dores só sentia as dores da falta do colo, do dengo, do beijo de boa noite, ou do grito de repreensão. "Não sobe ai menino, quer se arrebentar?"
Viu que noite, mesmo no verão é fria, sem cor, branco pálido ou amarelado que indica meia vida. Waldomiro vira esquinas, sobe ladeiras, passa por ruelas que a luz do dia são cheia de vida. Pessoas riem, altas pela bebida barata que entorpasse e alivia a dor, na grama, nas portas dos bares, vê aqueles que dormem um sono intranquilo. Waldomiro só observa, se esconde no meio do sacos de lixo espalhados no meio da calçada da rua vazia. Ninguém o nota, um lixo no meio do lixo. E cansado ele adormece. O sono dos Miseráveis.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
foto de Lucas Arantes
Cena de "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio" texto e direção de Mario Bortolotto.
Venham se emocionar com Bel, garota de programa comum e pobre que vê uma oportunidade de deixar a vida de merda que leva com Elcio seu irmão boa vida que vive as custas dela e de mixe e Renato o velho sacana e safado que tem verdadeira tara por ela mas no fundo é inofensivo e solitário.
Há alguns meses, dois pra ser preciso, fui convidado pela atriz Katiana Rangel indicado pelo autor e diretor Mario Bortolotto para compor o pequeno elenco do drama "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio". Fique muito lisonjeado com o convite e de olhos fechados aceitei. Não conhecia a Katiana e fiquei surpreso ao ver a força daquela mulher com cara de menina. Decidida e obstinada de grande talento e vocação trabalhou como nunca para colocar no palco essa pequena grande obra do Marião com quem já tive o prazer de trabalhar em "Uma pilha de pratos na cozinha" .O Rodrigo Cordeiro, que já conhecia das noites e de seus trabalhos como iluminador pisa no palco depois de anos de ausência e sinceramente promete, figurassa.
Agradeço a oportunidade de estar com pessoas tão competentes, Lucas, Batata, Camila, Danni e todas as pessoas que que fizeram com que essa historia fosse contada. E um obrigado especial para Katiana, te admiro pacas.
É isso aí!
Com Eduardo Chagas, Katiana Rangel, Rodrigo Cordeiro. Todas as Quintas as 21hs, no Espaço Satyros 2. Ingressos R$ 20,00 e R$ 10,00.
Cena de "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio" texto e direção de Mario Bortolotto.
Venham se emocionar com Bel, garota de programa comum e pobre que vê uma oportunidade de deixar a vida de merda que leva com Elcio seu irmão boa vida que vive as custas dela e de mixe e Renato o velho sacana e safado que tem verdadeira tara por ela mas no fundo é inofensivo e solitário.
Há alguns meses, dois pra ser preciso, fui convidado pela atriz Katiana Rangel indicado pelo autor e diretor Mario Bortolotto para compor o pequeno elenco do drama "Deve ser do caralho o carnaval em Bonifacio". Fique muito lisonjeado com o convite e de olhos fechados aceitei. Não conhecia a Katiana e fiquei surpreso ao ver a força daquela mulher com cara de menina. Decidida e obstinada de grande talento e vocação trabalhou como nunca para colocar no palco essa pequena grande obra do Marião com quem já tive o prazer de trabalhar em "Uma pilha de pratos na cozinha" .O Rodrigo Cordeiro, que já conhecia das noites e de seus trabalhos como iluminador pisa no palco depois de anos de ausência e sinceramente promete, figurassa.
Agradeço a oportunidade de estar com pessoas tão competentes, Lucas, Batata, Camila, Danni e todas as pessoas que que fizeram com que essa historia fosse contada. E um obrigado especial para Katiana, te admiro pacas.
É isso aí!
Com Eduardo Chagas, Katiana Rangel, Rodrigo Cordeiro. Todas as Quintas as 21hs, no Espaço Satyros 2. Ingressos R$ 20,00 e R$ 10,00.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Rostos
Um jogo insólito,
Um erro fatal,
Sem constrangimento o homem anda com as próprias pernas.
Mata com as próprias mãos, rouba, mutila, engana.
O homem é raça única, inteligente.
Ignorante geneticamente.
Os poucos sábios morrem cedo nas mãos da maioria... Ignorante!
Os insanos cultuados dominam propagando o medo, o ódio e o preconceito.
Cheiro de sangue,
uma mãe que chora e outra que vai presa.
Cheiro de sangue,
o menino “cracado” até o osso, dorme um sono numa esquina.
Seus pés encardidos, seu rosto chupado, seu corpo mirrado cheira a sujeira.
Que garoto é esse? De onde veio? Presume-se que não vai muito longe...
Ele anda de um lado para outro.
- Moça me da um trocado? A senhora vai ter um dia de muita sorte, eu queria tomar coma coca, paga pra mim? Sua vaca... Sua puta. Ele quer me matar moço... Jogo fora mesmo e daí?
E o homem do saco, o homem do saco existe, ele passa na minha rua todos os dias, as vezes me pede um cigarro. Coça a cabeça suja e cheia de pilho. Não tem jeito de quem bebe. O desanimo esta nos seus olhos humilis, ele esta morto e ninguém o vê estirado na calçada, barba mal feita cheirando a urina.
Esse é o homem, que morre em silencio, no escuro dos olhos abertos da multidão que passa por ele nem percebe.
Cheiro de sangue, E a velha sem dentes, sentada na saída de um túnel barulhento, fica surda e sua voz não é ouvida.
Grito mudo.
Um menino, um homem, e uma velha senhora.
Rostos invisíveis, rostos sem face,
Rostos perdidos num mundo abastado de gente.
Jogo insólito,
Erro fatal.
É isso ai!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Rogério, o meu irmão do meio!
Eu nunca fui visitar o tumulo de meu irmão já morto há alguns anos.
Como o tempo passa e a gente nem sente. Num piscar de olhos, num simples piscar de olhos, já não é mais presente é passado e o futuro esta na num pensamento imediatamente a frente. Uma folha ao vento, não importa se fugimos ou nos escondemos um dia, um mês , um ano, uma década, um século, e tudo parece que foi ontem, a semana passada, ou “-outro dia...”
Eu nunca fui ao tumulo e meu irmão, ele era um cara legal, meio maluco, mas um maluco com um coração do tamanho do mundo. Capaz de remover montanhas para ver alguém feliz, tinha o samba no pé... Parece que foi ontem...
Cachaça foi o que comeu o tempo do meu irmão, tinha quarenta e um anos, um filho pré- adolescente.
Valia tudo, chegou um momento que a quantidade da manguaça não importava um único gole era o suficiente. A maluca beleza, o cara legal ia embora e eis que surgia Mr. Haid. Dai o claro se tornava sombrio, descontrolado, verbalmente violento. Olhos vermelhos, incontrolável. Depois a dor e vergonha, a promessa e novamente a recaída.
Pra ele era impossível viver sem amor, era o sujeito boa praça que batia na porta de quem a tempo ele não via, um tio, uma tia, o pessoal do interior distante o quanto fosse ele estava lá.
Um dia ele me perguntou, o por que eu não acreditava em Deus, disse a ele que foi difícil chegar nesse pensamento, mas depois que você observa o movimento do Cosmo, as coisas mudam. Peguei um livro da minha estante, astronomia aplicada e mostrei a ele algumas fotos do Universo via Láctea, o Sistema Solar. Ele por sua vez me alimentava com sua fé, na crença de seus orixás, do esplendor mitológico dos ritos africanos. Parece que foi ontem...
O tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tinha, o tempo respondeu pro que o tempo não tinha tempo pois tempo passa rápido.
O tempo onze anos, o mês eu não me lembro, só me lembro das despedidas, tristes, o adeus pra sempre...
Ficou a memória e memória não tempo é agora.
Eu nunca fui ao tumulo e meu irmão. Mas tenho ele vivo agora e sempre em minha memória.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
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