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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Rostos

Um jogo insólito,
Um erro fatal,
Sem constrangimento o homem anda com as próprias pernas.
Mata com as próprias mãos, rouba, mutila, engana.
O homem é raça única, inteligente.
Ignorante geneticamente.
Os poucos sábios morrem cedo nas mãos da maioria... Ignorante!
Os insanos cultuados dominam propagando o medo, o ódio e o preconceito.
Cheiro de sangue,
uma mãe que chora e outra que vai presa.
Cheiro de sangue,
o menino “cracado” até o osso, dorme um sono numa esquina.
Seus pés encardidos, seu rosto chupado, seu corpo mirrado cheira a sujeira.
Que garoto é esse? De onde veio? Presume-se que não vai muito longe...
Ele anda de um lado para outro.
- Moça me da um trocado? A senhora vai ter um dia de muita sorte, eu queria tomar coma coca, paga pra mim? Sua vaca... Sua puta. Ele quer me matar moço... Jogo fora mesmo e daí?
E o homem do saco, o homem do saco existe, ele passa na minha rua todos os dias, as vezes me pede um cigarro. Coça a cabeça suja e cheia de pilho. Não tem jeito de quem bebe. O desanimo esta nos seus olhos humilis, ele esta morto e ninguém o vê estirado na calçada, barba mal feita cheirando a urina.
Esse é o homem, que morre em silencio, no escuro dos olhos abertos da multidão que passa por ele nem percebe.
Cheiro de sangue, E a velha sem dentes, sentada na saída de um túnel barulhento, fica surda e sua voz não é ouvida.
Grito mudo.
Um menino, um homem, e uma velha senhora.
Rostos invisíveis, rostos sem face,
Rostos perdidos num mundo abastado de gente.
Jogo insólito,
Erro fatal.

É isso ai!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Rogério, o meu irmão do meio!



Eu nunca fui visitar o tumulo de meu irmão já morto há alguns anos.
Como o tempo passa e a gente nem sente. Num piscar de olhos, num simples piscar de olhos, já não é mais presente é passado e o futuro esta na num pensamento imediatamente a frente. Uma folha ao vento, não importa se fugimos ou nos escondemos um dia, um mês , um ano, uma década, um século, e tudo parece que foi ontem, a semana passada, ou “-outro dia...”
Eu nunca fui ao tumulo e meu irmão, ele era um cara legal, meio maluco, mas um maluco com um coração do tamanho do mundo. Capaz de remover montanhas para ver alguém feliz, tinha o samba no pé... Parece que foi ontem...
Cachaça foi o que comeu o tempo do meu irmão, tinha quarenta e um anos, um filho pré- adolescente.
Valia tudo, chegou um momento que a quantidade da manguaça não importava um único gole era o suficiente. A maluca beleza, o cara legal ia embora e eis que surgia  Mr. Haid. Dai o claro se tornava sombrio, descontrolado, verbalmente violento. Olhos vermelhos, incontrolável. Depois a dor e vergonha, a promessa e novamente a recaída.
Pra ele era impossível viver sem amor, era o sujeito boa praça que batia na porta de quem a tempo ele não via, um tio, uma tia, o pessoal do interior distante o quanto fosse ele estava lá.
Um dia ele me perguntou, o por que eu não acreditava em Deus, disse a ele que foi difícil chegar nesse pensamento, mas depois que você observa o movimento do Cosmo, as coisas mudam. Peguei um livro da minha estante, astronomia aplicada e mostrei a ele algumas fotos do Universo via Láctea, o Sistema Solar. Ele por sua vez me alimentava com sua fé, na crença de seus orixás, do esplendor mitológico dos ritos africanos. Parece que foi ontem...
O tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tinha, o tempo respondeu pro que o tempo não tinha tempo pois tempo passa rápido.
O tempo onze anos, o mês eu não me lembro, só me lembro das despedidas, tristes, o adeus pra sempre...
Ficou a memória e memória não tempo é agora.
 Eu nunca fui ao tumulo e meu irmão. Mas tenho ele vivo agora e sempre em minha memória.